A Turnê Prana

 

Este ano começou com uma viagem ao Noroeste do Paraná, foram mais de 10 dias pisando terra vermelha!

Fizemos novas amizades, reforçamos laços, trabalhamos e brincamos!
Saiba mais sobre o que chamamos carinhosamente de “A Turnê Prana”:

Na primeira parada, que foi em Paranavaí, tivemos a oportunidade de ofertar uma Oficina de Alimentação Vegetariana no Sananda – Casa de Yoga. Um lugar lindíssimo que os queridos Gustavo e Elch preparam com muito amor e cuidado para receber pessoas interessadas na pratica de Yoga e no desenvolvimento pessoal.
Ficamos surpresos e gratos pela repercussão da divulgação da atividade, feita em apenas uma semana e que atraiu 16 pessoas para aprender sobre a culinária vegana e sem glúten. Nos encantamos pelo acolhimento do casal Gustavo e Elch no Sananda – Casa de Yoga, reforço este ponto, pois foi realmente lindo e estimulante trabalhar com a fluidez e bom humor que este local em  Paranavaí emana!

sananda 2016.

Ainda no mesmo espaço foi proposta uma noite de Musica Sagrada, conduzida pelo Adriano com a proposta de quebrar barreiras culturais criar um ambiente de harmonia entre diferentes religiões através da música. Para este evento tivemos uma publico bem diversificado que enriqueceu as possibilidades do evento.

Untitled design

Foto de Marcos Cruz em Sananda – Casa de Yoga

Além das atividades formais em Paranavaí, estivemos em contato com a família e fizemos e recebemos visitas a amigos queridos. Um ponto marcante foi visitar a nova casa da minha avó, que teve o cuidado de preservar as plantas que tinha na casa anterior e criou um jardim lindíssimo de flores e ervas. Ela fez questão de nos ler informações sobre plantas medicinais e mostrar as especificidades de algumas espécies, com a simplicidade de quem vive o que diz, em um determinado momento, lendo sobre os benefícios de uma planta que ela usa disse: Ta vendo! É por isso que eu estou assim forte. Ela é realmente uma mulher admirável.

No mais, é interessante observar as mudanças na cidade, pessoas e grupos, mas o mais intenso é sentir a disposição dos amigos, que vemos uma vez por ano, para nos ver e trocar algumas palavras, historias e tantos sentimentos. Em mim um sentimento de gratidão por cada um que nos visitou ou que a gente foi visitar.

De Paranavaí seguimos para Maringá em ótima compania! Pois ganhamos a carona de um casal muito simpático, quando lá chegamos fomos recebidos pelo querido amigo Ricardo, que nos proporcionou um momento de conversa agradável ao lado do lago do Parque Ingá. Das cidades que passamos foi a que menos permanecemos, mas mesmo assim tivemos oportunidade de pensar projetos e parcerias. Esperamos em breve receber os amigos Ricardo e Mateus para uma oficina de PANCs no Espaço Prana em Curitiba.

No mesmo dia, após um delicioso almoço Taiwanes seguimos de carona com a animada Estela para Floresta, para visitar os amados Marceu e Rebeca. E embora grande parte da cidade tenha se transformado em plantação de soja foi inspirador ver que ainda tem floresta na cidade que chama Floresta, porque Marceu e Rebeca permitiram uma no quintal deles! Com direito a lindos duendes e trilha de pedras. Me contou um duende que o Adriano, anos antes quando passou por lá, cooperou na formação do jardim floresta. A mim foi importante ouvir historias do Adriano que eu não conhecia e ver a amizade, carinho e respeito que vibrou neste encontro. Ao Adri foi significativo encontrar amigos que são fundamentais na formação pessoal e artística dele. Destaco também a deliciosa moqueca veg que a Rebeca fez para o jantar! Deliciosa. Ali pernoitamos, entre livros, discos de vinil, gatos, palhaços e revistas Planeta (se você não conhece ai fica uma dica de publicações da década de 70 para encontrar em sebos).

Acordamos mentalmente revigorados pelo animo do casal que nos recebeu, mas fisicamente cansados pelo tempo de sono reduzido e assim seguimos de ônibus metropolitano de Floresta para rodoviária de Maringá para comprar as passagens para Rolândia.

Maringá é uma cidade muito significativa pra mim, e mesmo não saindo da rodoviária tivemos uma linda sincronicidade. Encontramos uma pessoa que não via a pelo menos 3 anos e que também esta na rodoviária apenas para uma conexão. A vida é cheia de encantos!

Seguimos então de ônibus para Rolândia. Foi uma viagem confortável e rápida. Fomos recepcionamos na rodoviária pela Ursula que nos levou até a Pousada Marabu. Nos já sabíamos que o local estava sem energia elétrica e estávamos abertos para passar alguns dias tomando banho frio e jantando a luz de velas, para nos um cenário bem convidativo. Passar uns dias com o Adrian na Pousada Marabu, desde a nossa primeira visita la, passou a ser um lugar e tempo de conexão, com nos mesmos, com a natureza e com as pessoas. A delicadeza e força que emana do Adrian no cuidado com o todo é fonte de cura dos aspectos mais egóicos de nós.

prana 129

Foto: Adriano Michalovicz. Nossa primeira Visita a Pousada Marabu

Logo que chegamos na Pousada Marabu fui mostrar a trilha até a Grande Figueira Branca para o Adriano. Nos conectamos com aquela arvore que rege e cuida da natureza naquela área. Na trilha passamos ida e volta pelo local das mangueiras e eu disse que não era tempo de mangas. Quando encontramos o Adrian ele disse para gente colher mangas! Rsrs E quando voltamos ao lugar nossa visão se abriu para a abundancia das mangueiras. Da primeira e da segunda vez eu não tive sensibilidade para perceber as mangas que estavam ali no chão, como uma oferta da natureza aos animais, a todos os animais. Nos colando como natureza e nos permitindo  receber o alimento, comemos ali mesmo, descascando com os dentes, as mangas mais doces que já provamos. O Adrian disse que as mangas ali são tão gostosas porque são mangueiras antigas e elas já aprenderam como fazer as melhores mangas. Acreditamos nisso.

Nesse dia o Adrian com auxilio do Luis e do Adriano fizeram um “chuveiro” de bambu com a água que corre da mina, lembro do Adrian se questionando se iria dar certo a idéia e o Luis respondeu sabiamente: Vai dar certo por algum tempo. Ficou um lugar muito especial, fizemos questão de tomar nosso banho la todos os dias. Foi deliciosa a sensação da água fria caindo em nos… vendo que ela brotava da terra, a água mais pura que há! As noites no Marabu são tempos a parte, sempre sentávamos para jantar a luz de velas e depois ficávamos conversando e fazendo musica. O Luis tem um instrumento muito lindo que chama Disco Soador que nos encantou. Eu pensei sobre isso: Como é natural quando não há radio nos mesmos fazermos a musica! Quando fomos dormir começou a cair uma leve chuva, perfeito!

O sábado na Pousada Marabu foi lindo, começando com um delicioso café da manhã com a linha de patês e geléias Marabu! Eu não gostava de geléia até provar a de abacaxi com pimenta e a de maracujá com gengibre! São maravilhosas! O dia seguiu e teve banho de água de mina, colheita de mangas, musica, nos dedicamos a organizamos detalhes da oficina de alimentação viva que seria no dia seguinte e fizemos a limpeza do barracão da Pousada que é destinado a promover eventos culturais. E então outra noite mágica vivemos neste lugar tão encantador. Choveu.

Domingo nos dedicamos a organizar a recepção das pessoas para o curso, foi um dia chuvoso a estrada estava difícil e mesmo assim tivemos 15 pessoas na oficina de Alimentação Viva. Imensa Gratidão a todos que foram nos ouvir e que contribuíram para este momento. Como estávamos sem energia elétrica fizemos o curso foi à luz de velas, e com uso restrito do liquidificador.

Untitled design (1)

Foto: Ana Erika Dittrich. Oficina de Alimentação Viva em Pousada Marabu;

Para segunda feira estava programado uma noite de Música Sagrada em Londrina e nosso retorno a Curitiba, mas a chuva que se manteve fraca e permitiu que o curso acontecesse no domingo aumentou durante a noite e continuou durante o novo dia. O Adrian nos orientou a esperar que ela baixasse para seguir, pois a estrada estava impossível. Assim, passamos o dia brincando, comendo e esperando a chuva passar e como ela não passou fomos todos tomar banho de chuva no meio da floresta. Os caminhos tinham se transformado em cachoeiras e o chuveiro de bambu não existia mais, ouvimos o som de uma arvore caindo e voltamos para a casa. Foi necessário cancelar o evento em Londrina. Ficamos ilhados! Já estávamos sem energia elétrica, ficamos sem telefone também. E a chuva continuou por toda a noite.

Na terça, eu e o Adri já tínhamos aceitado a condição de ilhados por alguns dias. Cheguei a desfazer a mala dos instrumentos musicais, mas logo que parou a chuva no fim da manhã o Adrian sugeriu que nos aproveitássemos o momento e fossemos a pé pela estrada, que devido a chuva e o rompimento de uma barragem de 8m tinha virado um rio, até o outro lado. Pegamos as malas e com a ajuda do Luis atravessamos o a “estrada/rio” com lama até os joelhos, desviando das arvores que estavam caídas e com bom humor e otimismo, pois pensávamos que não há lugar melhor para ficar ilhado do que a Pousada Marabu: “Agua de beber, bica no quintal, cede de viver tudo!”. E porque a central de água de Rolândia foi inundada a cidade ia ficar sem fornecimento de água por 3 dias, de modo que tivemos que poupar água na limpeza da gente e seguir viagem de metropolitano de Rolândia para Londrina cheios de terra. Foi uma experiência rápida mas nos fez refletir sobre a força da natureza e a ignorância dos homens. Quando estávamos na rodoviária de Rolândia ficamos sabendo da proporção da conseqüência das chuvas daqueles dias na cidade e nas estradas. Muitas vias desbarrancarão e alguns desvios no trânsito foram necessários. Tiveram alguns congestionamentos e nesse momento passou um caminhão carregado de porcos fazendo uns barulhos que a mim parecia choro. Eram tantos animais que eles nem conseguiam se mexer e o transito parado. Minha primeira reação foi virar as costas para não ver tamanho sofrimento. Tudo até aquele momento tínhamos levado com bom humor e leveza, mas esta cena foi horrível, parecia fins dos tempos. Ali tomei consciência de que realmente estamos em um processo de fim dos tempos e que será o fim se não mudarmos nossa forma de viver. Acontece que para a mudança realmente acontecer eu não posso virar as costas para o que me incomoda, mas sim fazer o que for possível, naquele momento eu me concentrei em enviar boas energias para aqueles animais, foi o melhor que eu pude fazer.

De metropolitano chegamos à rodoviária de Londrina e conseguimos trocar nossas passagens que eram do dia anterior para aquele dia. E tínhamos algumas horas para passear na cidade, já que o ônibus era para as 23h50. Liguei para minha irmã que mora na cidade e ela foi nos encontrar na rodoviária, quando ela nos viu falou discretamente: “Gente! O que aconteceu?”, minha irmã nos deu uma carona ate a casa do Luis onde tomamos banho de água quente! rsrs A sensação foi maravilhosa. À noite jantamos juntos, eu, minha irmã, o Adri, o Luis e os irmãos dele. Fomos a um lugar bem interessante em que à atração são as sopas com pão francês, estava uma delicia a comida e a companhia.

Então seguimos para rodoviária e la chegamos a 23h40 e o nosso ônibus foi chegar apenas as 01h45, por causa dos atrasos causados pelo desvios na rodovia. A viagem para Curitiba foi tranquila, eu estava cansada e com sono então dormi profundamente todo o trajeto. Chegamos em Curitiba e descobrimos que os ônibus da cidade estavam funcionando apenas com 50% da frota, ficamos esperando no tubo e rindo, pois estávamos tão próximos de casa e mais alguns minutos de espera não tirava nossa gratidão de tudo que vivemos nesses dias.
Uma viagem curta, uma viagem dentro do estado do Paraná, uma viagem maravilhosa.

 

Publicado em: Sem categoria

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s